Assassin’s Creed Mirage e o retorno às raízes da franquia
- Assassin’s Creed
- 23/02/2026
Durante mais de quinze anos, a franquia Assassin’s Creed passou por transformações profundas. O que começou como uma experiência focada em furtividade urbana e conspirações históricas evoluiu para vastos RPGs de mundo aberto, com centenas de horas de conteúdo, sistemas de progressão complexos e mapas gigantescos. Embora essa expansão tenha conquistado um novo público, parte dos fãs veteranos sentia falta da essência original da série.
É nesse contexto que Assassin’s Creed Mirage surge. Longe da grandiosidade épica de seus antecessores mais recentes, o jogo foi concebido como uma experiência mais compacta, concentrada e fiel às raízes da franquia. Ambientado em Bagdá no século IX, o título coloca o jogador na pele de Basim Ibn Ishaq, personagem já conhecido por quem acompanhou Assassin’s Creed Valhalla.
Mirage não é apenas mais um capítulo da saga. Ele representa uma tentativa consciente da Ubisoft de resgatar a identidade clássica da franquia — furtividade, parkour e assassinatos estratégicos — em um mercado que mudou drasticamente desde 2007.
O contexto da mudança
Após o sucesso comercial da trilogia RPG formada por Origins, Odyssey e Valhalla, muitos imaginavam que a série seguiria exclusivamente esse caminho. Mapas gigantes, árvores de habilidade extensas e combate mais direto haviam se tornado a nova norma.
No entanto, críticas recorrentes apontavam para a perda da essência furtiva e da narrativa mais contida. Mirage surge quase como uma resposta direta a esse feedback. Ele não abandona completamente as inovações recentes, mas reduz a escala e recoloca a furtividade no centro da experiência.
Essa decisão é estratégica. Em vez de competir consigo mesma em termos de tamanho e duração, a franquia passa a explorar múltiplas abordagens.
Bagdá como protagonista
Um dos maiores destaques de Mirage é sua ambientação. Bagdá não é apenas cenário; é personagem ativo da narrativa. A cidade é densa, vibrante e dividida em distritos com identidades próprias.
Diferente dos mundos abertos extensos e muitas vezes vazios dos títulos anteriores, Mirage aposta em um mapa mais compacto, porém rico em detalhes. Ruas estreitas, mercados movimentados, telhados interligados e becos escuros criam um ambiente perfeito para a furtividade.
Essa verticalidade urbana resgata a sensação clássica de planejamento e infiltração. Escalar estruturas, observar padrões de patrulha e escolher o momento ideal para atacar voltam a ser decisões centrais.
O retorno da furtividade como prioridade
Se há um elemento que define Mirage, é o foco renovado na furtividade. O combate direto é possível, mas raramente recomendado. Enfrentar múltiplos inimigos de frente pode resultar em derrota rápida, incentivando o jogador a pensar antes de agir.
Ferramentas clássicas retornam com destaque: bombas de fumaça, facas de arremesso e distrações estratégicas. O sistema de notoriedade também volta a influenciar a dinâmica urbana, tornando perseguições mais intensas.
A “Assassin Focus”, habilidade especial que permite eliminar múltiplos alvos rapidamente, adiciona um toque moderno sem comprometer o espírito clássico.
Basim como protagonista
Basim é um personagem mais introspectivo do que alguns protagonistas anteriores. Sua jornada é marcada por conflitos internos e pela busca de identidade.
Ao explorar sua origem como ladrão de rua até se tornar membro da Irmandade, o jogo oferece narrativa mais pessoal e menos grandiosa. Em vez de salvar reinos inteiros, Mirage concentra-se em intrigas políticas e conspirações locais.
Essa abordagem mais contida fortalece o envolvimento emocional.
Estrutura de missões mais direcionada
Mirage abandona a estrutura inflada de atividades secundárias excessivas. Embora existam contratos opcionais e objetivos paralelos, o foco principal permanece na narrativa central.
A progressão é mais linear, lembrando os primeiros jogos da franquia. Investigações precedem assassinatos, incentivando coleta de informações antes da execução.
Essa estrutura cria ritmo mais equilibrado, evitando a sensação de sobrecarga.
Sistema de progressão simplificado
Ao contrário dos RPGs recentes da série, Mirage apresenta progressão mais enxuta. Árvores de habilidade existem, mas são menos complexas.
Essa simplificação reduz a sensação de grind e mantém o foco na jogabilidade furtiva.
Comparações inevitáveis
Comparado a Origins, Odyssey e Valhalla, Mirage é menor em escala. Porém, essa redução é intencional.
Em vez de oferecer centenas de horas, ele prioriza qualidade e coesão. Essa escolha pode dividir opiniões: jogadores que preferem expansividade podem sentir falta de conteúdo massivo, enquanto fãs clássicos celebram o retorno às origens.
Recepção do público
A recepção foi amplamente positiva entre veteranos da franquia. Muitos elogiaram a atmosfera, a ambientação e o retorno da furtividade como foco principal.
Críticas se concentraram na simplicidade do combate e em certa familiaridade estrutural.
O papel estratégico dentro da franquia
Mirage demonstra que Assassin’s Creed pode coexistir em múltiplos formatos. Grandes RPGs podem continuar existindo, enquanto títulos mais compactos atendem à nostalgia e à essência original.
Essa diversificação pode ser o futuro da franquia.
Conclusão
Assassin’s Creed Mirage não tenta ser o maior jogo da série. Sua ambição é diferente: resgatar a identidade que tornou a franquia icônica.
Ao apostar em mapa compacto, furtividade estratégica e narrativa mais pessoal, o jogo reafirma que tamanho não é sinônimo de qualidade.
Mirage funciona como ponte entre passado e futuro, provando que a franquia ainda tem espaço para reinventar-se sem abandonar suas raízes.
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