Kingdom Come: Deliverance II – Realismo Brutal, Ambição Medieval e a Evolução de um RPG Único
- Kingdom Come: Deliverance II
- 27/02/2026
Quando o primeiro Kingdom Come: Deliverance foi lançado em 2018, ele dividiu opiniões. Enquanto muitos elogiaram sua abordagem histórica extremamente realista, outros criticaram sua rigidez, bugs e curva de aprendizado severa. Ainda assim, o jogo conquistou uma base fiel de jogadores justamente por se recusar a seguir o caminho mais fácil dos RPGs tradicionais. Nada de dragões, magia ou profecias épicas. Apenas lama, aço, política e sobrevivência no século XV.
Com Kingdom Come: Deliverance II, a desenvolvedora Warhorse Studios retorna com uma proposta clara: manter o realismo radical que definiu o original, mas expandir sua escala, refinar sistemas e corrigir os problemas técnicos que limitaram a experiência anterior. O resultado é um RPG mais ambicioso, mais polido e ainda mais comprometido com autenticidade histórica.
Continuação Direta: Henry Ainda no Centro da Guerra
A sequência continua a jornada de Henry, o filho de um ferreiro cuja vida foi destruída por conflitos políticos e invasões militares. Diferente de muitos RPGs que optam por protagonistas novos a cada capítulo, Deliverance II aposta na continuidade narrativa, aprofundando o arco de um personagem já estabelecido.
Essa decisão fortalece o envolvimento emocional. Henry não é um “escolhido”. Ele não é um herói lendário. Ele é um homem comum moldado pela guerra, forçado a crescer em um mundo brutalmente realista. A escrita evolui significativamente na sequência, com diálogos mais naturais, escolhas morais mais complexas e consequências mais impactantes.
O mundo não gira ao redor do jogador. Ele reage.
Mundo Aberto Expandido e Mais Vivo
Uma das principais promessas da sequência foi a ampliação do mapa. O novo jogo apresenta regiões maiores, cidades mais densas e ambientes variados que vão muito além das florestas e vilarejos do primeiro título.
O design do mundo continua focado em autenticidade histórica. Arquitetura, vestimentas, armamentos e costumes sociais foram pesquisados com rigor. A ambientação não é apenas cenário — é parte da narrativa. Você sente o peso da política feudal, da desigualdade social e da tensão religiosa.
Além disso, a inteligência artificial foi aprimorada. NPCs possuem rotinas mais complexas, reagem melhor às ações do jogador e mantêm uma sensação maior de vida independente. Se você cometer crimes, haverá consequências reais e persistentes.
Combate Realista e Exigente
O sistema de combate sempre foi um dos pontos mais discutidos da franquia. Baseado em direções de ataque e defesa, ele exige precisão, leitura de movimentos e gerenciamento de resistência. Não é um sistema feito para apertar botões rapidamente. É um duelo técnico.
Em Deliverance II, o combate foi refinado. As animações estão mais fluidas, a resposta dos controles é mais precisa e o feedback visual ajuda o jogador a entender melhor o que está acontecendo. Ainda é desafiador — talvez até mais do que muitos RPGs modernos — mas agora é mais justo.
Armaduras têm peso real. Espadas se comportam de forma diferente dependendo do tipo. Confrontos contra múltiplos inimigos continuam perigosos, reforçando a importância de planejamento e estratégia.
Não há fantasia salvando o jogador. Um erro pode custar caro.
Sistema de Progressão Baseado em Realismo
Ao contrário de RPGs tradicionais com árvores de habilidade exageradas, Kingdom Come aposta em progressão orgânica. Você melhora aquilo que pratica. Quanto mais usa espadas, melhor fica com elas. Quanto mais negocia, melhores se tornam suas habilidades sociais.
Essa filosofia reforça o realismo da experiência. Henry não aprende magia ou habilidades sobrenaturais. Ele evolui como qualquer ser humano evoluiria: repetição e prática.
Além disso, o sistema de reputação é ainda mais complexo. A forma como você se veste influencia como é tratado. Seu comportamento em vilarejos altera a percepção pública. A moralidade não é preto no branco; ela depende de contexto social.
Narrativa Política e Conflitos Históricos
Deliverance II mergulha ainda mais fundo nos conflitos políticos da Boêmia medieval. O jogo apresenta intrigas nobres, traições, alianças frágeis e decisões que impactam regiões inteiras.
O roteiro amadureceu. As escolhas não são simples decisões binárias. Muitas vezes, qualquer opção terá consequências negativas para alguém. Esse tom mais realista fortalece o peso emocional das decisões.
A ausência de elementos fantásticos permite que o drama humano seja o verdadeiro foco.
Aspectos Técnicos e Evolução Visual
Visualmente, o jogo apresenta salto significativo. A iluminação é mais natural, as florestas são densas e as cidades possuem mais detalhes. O realismo gráfico ajuda a imersão, especialmente durante batalhas e cenas narrativas.
As melhorias técnicas também resolvem um dos maiores problemas do primeiro jogo: bugs frequentes. Embora nenhum mundo aberto seja perfeito, Deliverance II apresenta desempenho mais estável e menos falhas que quebrem a imersão.
A trilha sonora mantém o tom medieval, com instrumentos tradicionais e composições que reforçam a ambientação histórica.
A Coragem de Ser Diferente
Em um mercado dominado por RPGs de fantasia, com magia explosiva e criaturas mitológicas, Kingdom Come: Deliverance II segue na contramão. Ele é lento. Exigente. Cru. Realista.
Essa escolha limita seu público, mas também define sua identidade. Não é um jogo para quem busca poder imediato ou ação desenfreada. É uma experiência construída sobre paciência, aprendizado e imersão.
O jogo recompensa dedicação. Ele não facilita o caminho.
Recepção e Impacto
A sequência foi recebida como uma evolução natural do original. Críticas apontaram melhorias claras em combate, narrativa e estabilidade técnica. Jogadores que apreciaram o primeiro título encontraram aqui uma versão mais refinada e ambiciosa.
Ao mesmo tempo, o jogo mantém sua postura intransigente quanto ao realismo, o que continua dividindo opiniões. Mas talvez esse seja seu maior mérito: não tentar agradar a todos.
Conclusão
Kingdom Come: Deliverance II não é apenas uma sequência. É a consolidação de uma visão criativa rara na indústria moderna. Ao apostar em realismo histórico, combate técnico e narrativa política densa, o jogo se destaca como um dos RPGs mais autênticos da atualidade.
Ele não oferece escapismo fantástico. Oferece sobrevivência, honra, falhas humanas e escolhas difíceis. Em um cenário repleto de mundos mágicos, sua força está justamente em ser pé no chão.
Para quem busca uma experiência medieval crua e imersiva, Deliverance II representa uma evolução significativa e uma reafirmação de que ainda há espaço para RPGs que desafiam o jogador de verdade
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